Normas ECE relativas à iluminação dos veículos – aspetos práticos relevantes para as oficinas
Os destaques em resumo
- As normas ECE e os regulamentos da ONU definem os sistemas de iluminação modernos:
as normas ECE R48, bem como os regulamentos UN R148 e UN R149, regulam a instalação, as funções de iluminação e os requisitos técnicos da iluminação moderna dos veículos e constituem a base para o diagnóstico, a reparação e a manutenção na oficina. - O hardware, o software e a codificação formam uma única unidade:
a função de iluminação homologada é apenas possível através da interação entre a fonte de luz, a ótica, a eletrónica, o software e a codificação específica do veículo. Parâmetros mal definidos podem limitar ou desativar as funções de iluminação adaptativa. - Os trabalhos na oficina afetam o funcionamento das luzes:
os trabalhos nos faróis, no sistema de suspensão, na carroçaria, nos sensores ou nas unidades de controlo podem requerer codificações, calibrações ou um novo ajuste. Um teste funcional final garante que o sistema de iluminação cumpre os requisitos legais. - Apenas os componentes homologados recebem a homologação de tipo:
As adaptações com LED não homologadas, bem como as reparações parciais em luzes LED ou OLED homologadas, alteram o modelo homologado. Na falta de procedimentos de reparação aprovados, toda a unidade do farol deve, por conseguinte, ser substituída. - A calibração e a verificação do software são parte integrante do diagnóstico:
após reparações ou atualizações de software, é necessário verificar os sensores, a codificação, o ajuste do alcance dos faróis e o padrão de iluminação de acordo com as especificações do fabricante, uma vez que as alterações nas funções de iluminação não indicam necessariamente uma avaria técnica.
Aviso de segurança importante
As seguintes informações técnicas e os seguintes conselhos práticos foram elaborados pela HELLA, com o intuito de apoiar profissionalmente as oficinas nos trabalhos do dia a dia. As informações disponibilizadas neste website apenas devem ser utilizadas por pessoal especializado e devidamente qualificado.
Os modernos sistemas de iluminação automóvel, como os sistemas LED, Matrix, OLED ou de máximos adaptativos, são hoje em dia uma componente essencial da segurança ativa dos veículos. Ao mesmo tempo, os requisitos legais aplicáveis a estes sistemas estão em constante desenvolvimento . As normas ECE e os regulamentos da ONU definem não só a conceção técnica da iluminação, mas também a sua instalação, as funções de software e a capacidade de diagnóstico. Para as oficinas, isto significa que mesmo intervenções de menor dimensão, como as codificações, as atualizações de software ou calibrações, podem ter repercussões diretas na função de iluminação homologada. Muitas vezes, as falhas não se devem a componentes defeituosos, mas sim a desvios na configuração do sistema. Por isso, é indispensável ter um conhecimento básico das normas válidas para o diagnóstico, a reparação e a manutenção de sistemas de iluminação modernos.
Noções básicas sobre as normas ECE e os regulamentos da ONU
Das normas clássicas ECE aos regulamentos modernos da ONU
A crescente propagação dos sistemas LED, Matrix e OLED alterou significativamente os requisitos técnicos de iluminação nos veículos. As antigas regras específicas para diferentes tipos de luminárias já não conseguiam reproduzir, a não ser de forma limitada, os sistemas modernos controlados por software. Por esse motivo, foram harmonizadas e modernizadas numerosas normas no âmbito da UNECE. Atualmente, a base da iluminação moderna dos veículos é constituída sobretudo pelos regulamentos R148, R149 e R150 da ONU. Ao mesmo tempo, a ECE R48 continua a ser a principal norma de instalação para os dispositivos de iluminação.
Diferenças entre a regulamentação europeia e a norte-americana
No espaço europeu, os regulamentos da UNECE constituem a base para a homologação. Nos EUA, por outro lado, aplica-se a norma FMVSS 108. Além disso, são utilizadas as normas SAE para o dimensionamento técnico. Existem diferenças, nomeadamente no que diz respeito à distribuição da luz e às funções de sinalização. Enquanto os sistemas europeus utilizam predominantemente padrões de luz assimétricos, os sistemas norte-americanos baseiam-se tradicionalmente em distribuições de luz mais amplas. Isto pode dar origem a configurações não permitidas, especialmente no caso de veículos importados ou de codificações destinadas a outros mercados.
Sistemas de iluminação modernos como uma unidade funcional
Interação entre hardware, software e programação
Os sistemas modernos de faróis são compostos por uma fonte de luz, uma unidade ótica e eletrónica e por software. É apenas a interação destes componentes que permite obter a função de iluminação homologada. As unidades de controlo definem parâmetros como a distribuição da luz, o controlo dos segmentos e a luminosidade. Além disso, é realizada uma codificação específica para cada veículo. Se um farol for instalado sem a configuração correta dos parâmetros, as funções adaptativas poderão ficar limitadas ou desativadas. Mesmo peças de substituição aparentemente idênticas não proporcionam necessariamente a mesma distribuição de luz sem o software adequado.
Conselho prático:
Os trabalhos realizados no sistema de suspensão, na frente ou na eletrónica do veículo devem, em princípio, ser avaliados para determinar se podem ter repercussões no sistema de iluminação. Uma codificação final, uma calibração ou um teste de funcionamento é, muitas vezes, tão importante quanto a própria substituição dos componentes.
Fontes de erro comuns e requisitos legais
Adaptações de LED e fontes de luz não homologadas
O retrofit de lâmpadas LED não homologadas está entre a fontes de avaria mais frequentes no dia-a-dia das oficinas. A fonte de luz, a unidade ótica e eletrónica formam, do ponto de vista da conceção, uma unidade testada. Mesmo pequenas alterações influenciam a distribuição da luz e o limite entre claro e escuro. Isso pode provocar um aumento do efeito de encandeamento ou cores de luz inadmissíveis. Os sistemas que parecem subjetivamente mais claros não cumprem, por isso, automaticamente os requisitos legais. A utilização de componentes não homologados implica a anulação da homologação do veículo.
Reparações parciais em luminárias LED e OLED
As luminárias modernas de LED e OLED são testadas e homologadas como conjuntos completos de iluminação no âmbito da homologação de tipo. A homologação abrange todo o sistema, incluindo a fonte de luz, a unidade ótica, os condutores de luz, a unidade eletrónica, a caixa e a respetiva distribuição de luz. Só a interação de todos os componentes garante as características fotométricas prescritas no que diz respeito à intensidade luminosa, cor da luz, luminância e visibilidade do sinal.
Por este motivo, não são, em princípio, permitidas reparações parciais em luzes LED e OLED homologadas. A substituição de módulos LED individuais, painéis OLED, condutores de luz ou componentes eletrónicos altera o modelo homologado da lâmpada. Mesmo que seja possível restabelecer o funcionamento de segmentos de luz individuais, a luminária já não corresponde necessariamente à versão inicialmente testada.
Além disso, as luminárias LED e OLED modernas são frequentemente concebidas como grupos de componentes encapsulados. Os módulos de iluminação, a eletrónica de controlo e os elementos óticos estão ligados de forma permanente entre si e não podem ser separados uns dos outros sem causar danos. Por este motivo, muitos fabricantes de automóveis não fornecem componentes de reparação avulsos, mas sim exclusivamente unidades completas de iluminação.
Aviso de reparação
Antes de qualquer reparação, deve verificar-se, em princípio, se o fabricante do veículo prevê um procedimento de reparação aprovado para o farol em questão. Se não existir a devida autorização, deve substituir-se toda a unidade de iluminação. Isto garante que as características fotométricas e os requisitos da homologação são integralmente mantidos.
Normas de instalação e sistemas de segurança relevantes
Os sistemas de faróis de alto desempenho estão sujeitos a normas de instalação adicionais. Entre estas contam-se a regulação automática do alcance dos faróis e os sistemas de limpeza em bom estado de funcionamento. Os sensores de regulação defeituosos ou a falta de inicialização são frequentemente motivo de reclamações. Mesmo que o padrão de luz seja o correto, a homologação pode ser limitada se esses sistemas não estiverem a funcionar corretamente. Por isso, após as reparações, deve ser sempre realizado um teste de funcionamento completo.
Sensores, calibração e software na prática
Princípio de funcionamento dos sistemas de iluminação adaptativos
Os sistemas de iluminação adaptativos funcionam com câmaras e o controlo eletrónico por segmentos. O sistema de sensores deteta outros utentes da estrada e ajusta automaticamente a distribuição da luz. É possível ocultar de forma seletiva determinadas áreas da luz de máximos, sem escurecer o resto da faixa de rodagem. Esta função baseia-se numa comunicação contínua entre a câmara, a unidade de controlo e o módulo dos faróis. Os dados incorretos dos sensores conduzem frequentemente à desativação das funções adaptativas.
Calibração após trabalhos de reparação
Após a realização de trabalhos no para-brisas, na suspensão ou na estrutura do veículo, é muitas vezes necessária uma calibração. As alterações na posição do sensor influenciam a perceção do ambiente e, consequentemente, o controlo da iluminação. Se não for efetuada a calibração, o sistema comuta frequentemente para um estado de funcionamento seguro. Na prática, isto manifesta-se através da utilização contínua das luzes de médios, apesar da função Matrix estar ativada. A calibração é realizada através de um aparelho de diagnóstico adequado, de acordo com as especificações do fabricante.
Verificação fotográfica após a atualização do software
As atualizações de software têm cada vez mais impacto também nas funções relacionadas com a iluminação. Após uma atualização, a distribuição da luz pode sofrer alterações, sem que isso signifique que exista uma avaria técnica. Nesses casos, deve-se, em primeiro lugar, verificar a versão do software e os parâmetros do sistema. Em seguida, é efetuada uma verificação da regulação do alcance dos faróis, bem como uma inspeção visual com o dispositivo de alinhamento dos faróis. O que prevalece neste contexto são sempre as especificações atuais do fabricante e não a impressão subjetiva anterior do padrão de luz.
Conclusão
As normas ECE e os regulamentos da ONU são hoje parte integrante do dia-a-dia das oficinas. Os sistemas de iluminação modernos são constituídos por componentes mecânicos, eletrónicos e controlados por software, que, em conjunto, são responsáveis pela função de iluminação homologada. Muitas falhas não resultam de componentes defeituosos, mas sim de codificações incorretas, calibrações em falta ou alterações não autorizadas no sistema. Um diagnóstico estruturado, bem como o cumprimento das especificações do fabricante, ajudam a evitar reclamações e a garantir a segurança de funcionamento dos sistemas de iluminação modernos.
Aviso!
As informações, as ilustrações e os exemplos de procedimentos apresentados neste artigo destinam-se exclusivamente a explicar os aspetos técnicos e a promover a compreensão geral da iluminação automóvel moderna, bem como das normas ECE e os regulamentos da ONU subjacentes. Não substituem as instruções de reparação, inspeção ou ajuste específicas do veículo.
Os trabalhos em sistemas de iluminação, sistemas de assistência ao condutor, bem como nos respetivos sensores e unidades de controlo, só podem ser realizados de acordo com as especificações do respetivo fabricante do veículo e utilizando tecnologia de diagnóstico e calibração adequada. Para tal, devem ser respeitadas as disposições legais em vigor, bem como as informações do fabricante aplicáveis em cada caso.
Os equipamentos dos veículos, as funções dos sistemas e os procedimentos de diagnóstico podem variar consoante o fabricante, o modelo, o ano de fabrico e a versão do software. Por conseguinte, devem ser sempre consultadas as informações atuais sobre reparações e manutenção fornecidas pelo fabricante do veículo.
Mais informações
Para mais informações sobre o tema, consultar as seguintes páginas temáticas:
Tecnologia de iluminação – Noções básicas e parâmetros fotométricos | HELLA
Faróis - Componentes, tipos, normas | HELLA
Ajustar e substituir faróis LED | HELLA
CSC-Tool PRO – Calibração ADAS totalmente digital | Hella Gutmann
Perguntas frequentes – Normas ECE e bases legais da iluminação automóvel moderna
No âmbito do desenvolvimento do código de regulamentos da UNECE, as antigas normas ECE foram adaptadas e modernizadas nos regulamentos R148, R149 e R150 da ONU. O objetivo era criar um quadro regulamentar tecnologicamente neutro, que abrangesse de forma uniforme tanto os sistemas de iluminação convencionais como as tecnologias LED, Matrix e OLED, bem como os desenvolvimentos futuros. Desta forma, os requisitos técnicos de iluminação e a homologação dos dispositivos de iluminação modernos são harmonizados e estruturados de forma mais clara.
A norma ECE R48 define como os dispositivos de iluminação devem ser instalados e utilizados no veículo. Entre estes contam-se as posições de montagem, as condições de comutação e sistemas adicionais, como a regulação do alcance dos faróis ou o sistema de limpeza dos faróis. Por outro lado, os regulamentos R148 e R149 da ONU definem os requisitos técnicos para as respetivas luzes e as suas características fotométricas.
As características fototécnicas são apenas o resultado através da interação entre a fonte de luz, a unidade ótica e eletrónica e o software no âmbito do tipo de luz homologada. Mesmo pequenas alterações num destes componentes podem influenciar a distribuição da luz, o limite de encadeamento ou a cor da luz. A homologação, nos termos dos respetivos regulamentos da ONU, refere-se, por conseguinte, ao dispositivo de iluminação submetido a ensaio ou ao tipo de sistema homologado. Os requisitos relativos à instalação das luzes homologadas no veículo são ainda definidos pela norma ECE R48.
O símbolo “E” confirma que a luz em questão possui uma homologação válida, em conformidade com os regulamentos pertinentes da UNECE. A identificação fornece ainda informações sobre o país de homologação e as funções de iluminação homologadas. Facilita às oficinas a identificação de componentes aprovados.
Nos sistemas de iluminação modernos, o software faz parte integrante do funcionamento aprovado do sistema. Entre outras coisas, controla a distribuição da luz, o comando dos segmentos e as funções adaptativas. Por conseguinte, as alterações na configuração dos parâmetros ou no software podem afetar as características luminosas homologadas e só devem ser efetuadas de acordo com as especificações do fabricante.
Os sistemas adaptativos alteram a sua distribuição de luz em função das condições de condução e da situação do trânsito. Para evitar que os outros utentes da estrada fiquem ofuscados, os regulamentos pertinentes da ONU definem requisitos detalhados relativos ao funcionamento, à lógica de comutação, à limitação de encandeamento e à monitorização do sistema.
Os sistemas de iluminação de alto desempenho produzem intensidades luminosas elevadas. Mesmo pequenas alterações na inclinação do veículo ou dos vidros difusores sujos podem causar um encandeamento inadmissível. Por conseguinte, a legislação exige — dependendo do sistema de iluminação em questão — a instalação de dispositivos adicionais para garantir uma distribuição da luz em conformidade com as normas.
Ambos os conjuntos de normas têm o mesmo objetivo de segurança rodoviária, mas diferem no que diz respeito aos requisitos técnicos de iluminação. Existem diferenças, por exemplo, na distribuição da luz, no efeito do sinal e nas funções de comutação permitidas. Por isso, as codificações ou componentes de diferentes mercados não são, de imediato, compatíveis entre si.
As características fotométricas são testadas e homologadas para o conjunto completo ou para o tipo de luz homologado. A substituição de módulos LED individuais ou de componentes óticos pode alterar as características testadas. Sem um procedimento de reparação aprovado pelo fabricante do veículo ou do sistema de iluminação, não é, por conseguinte, possível garantir a conformidade com a homologação. Por isso, as oficinas devem respeitar as especificações de cada fabricante.
As normas definem não só os requisitos relativos à construção, mas também à função do sistema na sua totalidade. Por isso, durante o diagnóstico, é necessário avaliar em conjunto os fatores mecânicos, eletrónicos e relacionados com o software. Por conseguinte, uma reparação em conformidade com as normas inclui, para além da substituição de componentes, frequentemente também a codificação, a calibração e o teste de funcionamento.
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